Fique a vontade...


Psicologia, ciência, arte, espiritualidade, filosofia, cultura e outras coisas mais.

Mente...Corpo...Espírito

Mente...Corpo...Espírito

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A vida sexual dos Brasileiros

Baseado em um levantamento bastante completo sobre a vida conjugal e sexual dos brasileiros, patrocinado pelos laboratórios Pfizer e coordenado pela psiquiatra Carmita Abdo, do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas, de São Paulo, alguns dados podem ser muito curiosos e despertam reflexões igualmente interessantes.
A pesquisa recolheu informações de quase 3.000 homens e mulheres entre 18 e 70 anos, de todas as classes sociais.
A média nacional de relações é de três por semana. Esse número pode parecer exagerado aos casais que entraram no inevitável período de estabilização, mas ele é um pouco maior que a média de relações nos Estados Unidos.
Quanto ao grau de satisfação com a qualidade da vida sexual, 60% das mulheres e 68% dos homens consideram que a sua qualidade sexual é muito boa ou ótima. Somados aos que escolheram a opção "regular", essa proporções sobem para 86% e 92%, respectivamente.
No que se refere às preliminares, ao contrário do que pode estar pensando a maioria das mulheres queixosas, 81% de suas colegas sexualmente ativas estão contentes com as carícias que recebem antes do ato. A novidade, que supostamente não acontecia em outras épocas, é que mais de 62% dos homens demonstram grande preocupação em satisfazer suas parceiras durante essa fase preparatória.
Essas cifras, possivelmente satisfatórias, espelham uma mudança significativa no comportamento sexual. A partir da liberação sexual dos anos 70, as mulheres começaram a exigir mais prazer na cama e os homens aprenderam que não bastava ir direto ao assunto.
O Perfil Sexual
A auto-avaliação feminina sobre o próprio desempenho sexual atingiu a nota 7 e a masculina, 8 (de 0 a 10). Esses números devem ser encarados com certa reserva, tendo em vista de ser natural as pessoas se superestimarem nessa questão.Entre as queixas mais freqüentes, a falta de orgasmo lidera e continua a afligir as mulheres. Cerca de um terço delas não consegue atingi-lo. A explicação mais plausível para esse fato ainda é a mesma de antigamente, ou seja, a maior parte não tem orgasmo por medo, culpa ou porque o parceiro é rápido demais.
Outro problema predominantemente feminino é a falta de desejo - 35% das mulheres não sentem nenhuma vontade de ter relações. Esse é um número extremamente elevado. De vez em quando somos tentados a dizer para clientes masculinos preocupados com sua performance sexual que, muito provavelmente, sua esposa terá maior satisfação quando ele vira pro lado e dorme.
Problemas Orgânicos?
Ao contrário do que gostaria a maioria das mulheres sexualmente mais lentas, do ponto de vista médico está mais do que provado, serem raros os casos em que essa disfunção é causada por limitações físicas, como por exemplo, o baixo nível de hormônios ou outra causa ginecológica.
Decisivos mesmo na regulagem do apetite sexual da mulher são os fatores psicológicos (Veja Desejo Sexual em PsiqWeb). No Brasil, acreditam os especialistas, há ainda uma questão cultural que atua como inibidor da libido feminina: a angústia de não corresponder à imagem da mulher ideal, dos sonhos masculinos, dessas que rebolam na televisão e posam para revistas masculinas. Numa sociedade altamente erotizada, que privilegia cada vez mais o "corpão" e a "poposuda", a cama pode ser o palco de uma tremenda frustração para quem não apresenta medidas e desempenho próximos da perfeição.
Já suspeitado, o que mais assombra o universo masculino (54%) é o medo de perder a ereção na hora H. Mas esse medo não é infundado, pois as disfunções como ejaculação precoce e impotência afetam grande parte dos brasileiros (Veja Disfunção Erétil masculina e Ejaculação Precoce em PsiqWeb). A ejaculação precoce costuma ser um pesadelo para quase a metade dos homens entre 18 e 60 anos. A incidência é maior entre os mais jovens, que são os mais ansiosos.
Cerca de 40% dos homens entre 30 e 50 anos apresentam algum grau de impotência. Muitos casos, principalmente até a meia-idade, têm motivos psicológicos e, quase sempre, estão ligados a stress e depressão. A partir dos 50 anos, os fatores físicos costumam estar na origem dos distúrbios eréteis. Entre eles, a hipertensão, o diabetes, o colesterol alto ou o desequilíbrio na produção do hormônio masculino testosterona.
Primeira Vez
Há séculos (atualmente ainda em várias culturas) era exigido que a mulher fosse virgem ao casar, porém, principalmente a sociedade ocidental vem aceitando cada vez mais as relações sexuais pré-matrimoniais. Mas, de um modo geral, a primeira experiência sexual da mulher ainda pode determinar algum de conflito pessoal e/ou familiar.
Muitas garotas a consideram a perda da virgindade um passo fundamental em seu desenvolvimento pessoal (e até social), na maioria dos casos não se exigindo que o primeiro parceiro sexual seja o definitivo. Os conflitos pessoais que essa conduta mais liberal da perda (doação) da virgindade podem proporcionar são produzidos pela incerteza do momento, da atitude e da escolha do parceiro.
Boa parte das adoelescentes que deixam de ser virgens são motivadas pela necessidade de inserir-se em um contexto de liberalidade "progressista", ou seja, para não se sentirem à margem das outras adolescentes que já experimentaram o sexo. Veja na coluna ao lado a afirmação de que "a adolescente que ainda não perdeu a virgindade é questionada pelas amigas e até ridicularizada". O risco neste tipo de comportamento é transformar a liberdade sexual em obrigatoriedade sexual. Nesse caso o parceiro, que deveria ser a peça importante da relação, passa a ser apenas o instrumento de execussão do ato.
Existem ainda aquelas mocinhas que, temendo ficarem sozinhas, enfrentam a concorrência das demais e cedem sexualmente com o propósito de tentar garantir um namorado ou, inocentemente, comportam-se da maneira que julgam esperar dela. Os conflitos e frustrações surgem quando percebem que, além de muitas vezes a relação sexual não ter sido tão prazerosa, a atitude sexual liberal teve efeito contrário sobre as furturas intenções do companheiro, afastando-o ao invés de prendê-lo.
Referência:
Ballone GJ - A Vida Sexual (do Brasileiro) - in. PsiqWeb, Internet, disponível em <http://gballone.sites.uol.com.br/sexo/revolusexo.html>, revisto em 2004

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Mudando Paradigmas

Precisamos de novas formas de explicação do real, novos modelos de referência para intervir no mundo. Esta evidência se faz notada pela dificuldade de explicação satisfatoriamente há uma imensidão de experiências ditas espirituais, estados alterados de consciência, percepção extra-sensorial, mediunidade, etc., e suas inter-relações com o universo macro cósmico. Diante da ciência oficial, todos aqueles que se aventuram por este caminho são desqualificados por uma falta de critério ou método capaz de medir, predizer e afirmar com exatidão a veracidade destes fenômenos, destas experiências. Mas a ciência evolui. É fundamental que a ciência continue suas pesquisas no campo da materialidade, mas é muito importante também, que ela considera e abra espaços de pesquisas para os fenômenos que transcendem a experiência imediata dos sentidos físicos. Esta abertura se dará quando houver uma ruptura com o paradigma predominante, concebido pela dualidade e separação dos objetos de estudo. O renomado Biólogo Austríaco Ludwing von Bertanlanffy (1901-1972), criador da Teoria Geral dos Sistemas, preocupou-se em transpor as barreiras existentes no âmbito das disciplinas científicas, propondo uma nova forma de investigação da ciência sem as divisões e fragmentações com especializações. Certamente que esta visão, ou cosmovisão, não é tão amplamente utilizada pela maioria dos teóricos e experimentadores da ciência, mas com certeza é uma perspectiva em evolução para exploração, intervenção e análises dos fenômenos. Esta teoria pode ser concebida como uma teoria de princípios universais com aspectos interdisciplinares, uma metaciência. Esta perspectiva teórica é um esforço para elabora uma síntese do conhecimento, sem a eliminação das diferenças, nem a separação do que seja fenômeno material, do que seja fenômeno não-material (metafísico, espiritual, da consciência).
Esta teoria fala de totalidades, de organizações de sistemas e de suas inter-relações.
Como o modelo de ciência vigente não se abre amplamente para esta nova configuração e interpretação do real de modo satisfatório, paralelamente a esta modo científico de produção, se desenvolve uma diversidade de alternativas teóricas/experimentais para incluir novas visões e novos saberes ao modelo científico atual. Se o nosso universo é um emaranhado de inter-relações sistêmicas, do micro ao macrocosmo, ordenadamente inteligente e rico de possibilidades infinitas, não podemos nos limitar a explicações unidirecionais e mutuamente excludentes. Uma nova concepção de mundo implica uma profunda mudança de mentalidade. E você... Está pronto para as mudanças? Geylson Kaio Psicólogo/Psicoterapeuta e Consultor

sábado, 2 de agosto de 2008

O fenômeno da fé sob a perspectiva da consciência

Usualmente tem-se o conceito de Fé inseparável do conceito de religião. Esses conceitos criados pelos homens, foram sendo passados de geração em geração através de vários métodos, pela contação de histórias, pelos relatos de fatos extraordinários, pela experiência direta de fenômenos transpessoais, etc.
O fato é que a experiência da Fé é algo intrigante e volátil ao mesmo tempo. Muitos acreditam piamente na experiência mística como solução de problemas humanos e sobre humanos. Outros acreditam cegamente na revelação do sagrado como o sentido ultimo da vida e se portam como agentes propiciadores da divindade na terra. E outros se relacionam com a Fé num misto de desconfiança e incredulidade por não encontrar na explicação da Fé, o sentido de experiência significativa, e desta forma, não serve como referência na vida.
A verdade é que temos tido motivos para acreditar em várias coisas e ao mesmo tempo não acreditar em nada. Esta postura mental e existencial é um desafio de natureza transpessoal. Recolocando um outro sentido ou simplesmente explorando os vários significados que o conceito Fé pode nos proporcionar, veremos que este fenômeno está em posição contrária ao que se verifica no seu uso mais geral e habitual.
Segundo o dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 1.0, a palavra Fé assume alguns significados diferentes, como por exemplo, a primeira das três virtudes teologais; confiança absoluta (em alguém ou em algo); credito; asseveração; afirmação; comprovação de algum fato; crença religiosa sem fundamentos racionais; compromisso assumido de ser fiel a palavra dada, de cumpri exatamente o que se prometeu; credibilidade que deve ser dada ao documento no qual se funda; etc. Vários significados para uma única expressão. Significados diversos, mas todos procurando dar como certo o fato da existência de uma relação de confiança mantida e estabelecida pelo homem.
A confiança é uma força intima que impulsiona aquele que a tem. É um sentimento de segurança interior que atesta a existência da coragem e da vontade de fazer. Portanto, a Fé é um conceito inseparável do conceito de Confiança. Não é possível existir Fé, sem a existência da Confiança. E a confiança é a certeza de que algo será cumprido, realizado. É a esperança e o otimismo aliados na certeza do que se quer.
Sob a perspectiva da consciência, verificamos que o elemento mais importante da noção de consciência é a intencionalidade. A intencionalidade diz daquilo que eu dirijo, daquilo que faço com vontade, com propósito, procurando da um sentido e significado. A consciência é algo vivo e em constante interação com os conteúdos psíquicos do ser. Mas nem tudo está plenamente consciente em nós. Temos aspectos comportamentais, por exemplo, de que ainda não estamos utilizando de maneira intencional, consciente. Ao conversar com uma pessoa que não nos agrada e que gostaríamos de evitar contato, por exemplo, podemos estar tendo experiências conscientes, intencionais, sendo educado e ao mesmo tempo, podemos estar demonstrando um desagrado com uma postura corporal sem que percebamos isso. Na medida em que eu sei que isto está acontecendo, ou seja, na medida em que eu estou consciente destes comportamentos, poderei ser mais autentico e expressar-me com mais sinceridade e leveza. A consciência é um elemento que torna vivo aquilo que aparentemente estava morto ou pelo menos indisponível para a consciência.
Neste sentido, a Fé é uma experiência da consciência, onde os fenômenos ocorrem na medida intencional da vontade e da confiança na realização de suas expectativas e certezas. Sem o uso consciente da nossa vontade, não é possível termos um fenômeno de Fé. Sem a existência de um sentido ou significado para a vida, não é possível continuar vivendo. Muitas mortes por suicídios são originárias da falta de sentido na vida. A vontade de viver e o uso consciente das nossas habilidades e potencialidades nos tornam cada vez mais um ser em constante processo de auto-transformação, em busca da profunda experiência divina realizadora.
Geylson Kaio
Psicólogo/Psicoterapeuta e Consultor

A Marcha dos Pinguins

A milhões de anos os pingüins-imperadores são capazes de sobreviver no deserto gelado e insuportável do continente Antártico. Os pingüins são verdadeiros dançarinos de uma melodia tocada à milênios pela mãe natureza. A cada temporada de verão, a comunidade dos pingüins do Antártico, se desloca para uma região especifica, onde se protegem e se acasalam, perpetuando a espécie. São nove meses de uma profunda aventura em defesa da vida e do amor, e três meses de e delícias no oceano.
Os vários pingüins existentes na região Antártica, se deslocam e se agrupam formando uma só unidade, na qual resistem e sobrevivem de corpo e alma. A luta pela sobrevivência só é possível por causa do senso de unidade à que todos se condicionam. Quando a ventania gélida avança, comprometendo a própria vida, eles se aglomeram uns aos outros, formando um extenso conjunto de corais comparados a um casco de tartaruga, tal a solidez de suas roupas especiais. Não obstante a tudo isso, eles ainda giram entre si, numa espécie de redemoinho, para gerar mais energia aos que estão no centro do grande circulo.
Estes elegantes pingüins são comparados a graciosos dançarinos da natureza, por causa de seus rituais de amor e poesia para o tão esperado ato de acasalamento. Quando as fêmeas procuram e acham seus parceiros ideais, tanto o macho como a fêmea, mantêm-se fieis um ao outro, pelo período mínimo de um ano, que é quando completa o ciclo das mudanças de seus hábitos e costumes. É possível que estes parceiros sobrevivam e continuem a sua longa jornada, mantendo-se, unidos pelos laços do amor. Antes que o acasalamento aconteça, eles se namoram e dançam, em busca de uma harmonia perfeita para o tão maravilhoso momento de suas vidas: amar e preserva a espécie.
Após o acasalamento é esperado que no ventre das fêmeas esteja em desenvolvimento um belo e corajoso filhote de pinguin. Quando a mãe-pinguin coloca o ovo, cabe ao pai ensaiar e cuidar da tenra vida que acaba de surgir, onde sob sua responsabilidade, deverá manter aquecido e protegido seu filhote, enquanto a mãe vai em busca de comida para si e para o pequenino rebento. Esta marcha em busca de alimento leva, aproximadamente, a mesma quantidade de tempo que levaram para chegar onde estão, em torno de 20 á 30 dias de longa caminhada. Passam-se aproximadamente 4 meses, quando as mães-pinguins retornam para alimentar os seus filhotes, que já nasceram, mas não comeram, e os pais devolvem os filhotes as suas mães, que como no ritmo harmonioso de uma dança, é a sua vez de procurar alimento para se manter vivo.
Após esse longo ciclo de idas e vindas, superando desafios existenciais profundos, a família de pingüins se reencontra e, finalmente, podem curtir alguns momentos juntos antes de se separarem para refazerem sua caminhada, demonstrando que cada um dos parceiros-dançarinos sabe exatamente até onde podem ir com relação aos cuidados dos filhotes, uma vês que eles também precisam crescer, se desenvolver e continuar a marcha dos pingüins.
Que história! Quanta coisa podemos aprender com a natureza! Ela realmente não dá saltos. Se nós estivermos bem atentos a tudo o que acontece perto de nós, paralelo à vida humana, e pudermos apreender os ensinamentos milenares formados pelos nossos antecessores, estaremos bem mais felizes e cumpridores das nossas missões, realizando nossos desejos, sublimes desejos, e preservando a cultura do trabalho, da solidariedade, do amor, da esperança, da plenitude e da continuidade da vida humana.
Geylson Kaio
Psicólogo/Psicoterapeuta e Consultor